Às vezes, até que deve valer a pena se inserir nos domínios de alguma circunscrição do acaso.
By Ana
Mark Power - Magnum Agency
Às vezes, até que deve valer a pena se inserir nos domínios de alguma circunscrição do acaso.
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Mark Power - Magnum Agency

Festival of Lights, Myanmar - Photograph by Chien-Chi Chang
Coisas do "mundo, mundo, vasto mundo"...
By Ana

Carl De Keyzer
Já que é preciso não confundir planeta com mundo, talvez a gente possa dizer que o planeta seja também, às vezes, melancolicamente belo, mas o mundo, quase sempre, triste.
By Ana

Richard Kalvar - Magnum Agency

Astor Piazzolla
O artigo abaixo - publicado no jornal “Curitiba in English”, foi gentilmente cedido a este espaço pelo jornalista Roberto Muggiati. Selecionei algumas músicas citadas no texto que estão relacionadas em links no final do post e incluí outras que também considero estar entre as mais lindas de Piazzolla, como Remenbrance, Luna, Milonga del Angel, Oblivion, Extasis e Regreso Del amor.
E para ilustrar o artigo, procurei por uma foto do artista que pudesse suscitar tanta intensidade e emoção quanto a sua magnífica obra, e, talvez, tenha feito um belo garimpo. Na impressionante foto, o bandoneón de Piazzolla simula as asas de um incrível pássaro ensaiando o vôo emocionante e libertador de um tango livre, ou de um “Libertango”.
By Ana
SuperAstor
Cada vez mais, a música de Astor Piazzolla migra para o repertório clássico. Outra noite fui ao Municipal do Rio ouvir o Gershwin Piano Quartet. A peça de abertura foi um Tango-Fuga sobre um Tema de Astor Piazzolla, que o suíço Stefan Wirth compôs em 1975. Poucos dias depois, na Sala de Concerto da Rádio MEC — o recital a quatro mãos por Estela e Marcelo Caldi, mãe e filho — teve como fecho o tema Escualo, de Piazzolla. As relações do genial bandoneonista, maestro e compositor argentino com o idioma erudito quase que coincidem com o início do seu aprendizado musical. Nascido em Mar del Plata em 1921, aos quatro anos mudou-se com os pais para Nova York.Os Piazzolla, imigrantes italianos, buscavam melhores oportunidades nos Estados Unidos. Não deram sorte. Em 1929 veio o Crack da Bolsa. Como prêmio de consolação, o pibe Astor ganhou um bandoneón. Em 1933 começou a estudar piano com o húngaro Bela Wilde, discípulo do famoso Rachmaninov. Conheceu o cantor de tango Carlos Gardel, que estava em NY para estrelar no filme El día que me quieras, no qual o pequeno Astor atua como entregador de jornais.
Os anos passados no exterior o tornaram fluente em espanhol, inglês, italiano e francês. Ao voltar para a Argentina, trazia na bagagem o profundo conhecimento de harmonia e música erudita aprendido em Paris com a lendária Nadia Boulanger, mestra de gigantes eruditos como Stravinsky, Aron Copland, Virgil Thompson, Leonard Bernstein, Philip Glass e, na área dita “popular” Michel Legrand, Burt Bacharach, Quincy Jones, Egberto Gismonti. Mas talvez a coisa que mais tenha mexido com a cabeça de Piazzolla foi o jazz.
O jazz americano provocou três grandes revoluções fora dos Estados Unidos: a modernização das culturas musicais do Brasil (com Tom Jobim e a bossa nova); da França, através de Michel Legrand; e da Argentina, com o nuenotango de Piazzolla. Dos três, talvez a ruptura mais brutal com a tradição tenha sido a de Piazzolla, que teve sua música hostilizada em sua própria terra. Pior para os argentinos: o mundo estava de braços abertos para o grande Astor. Ele passou a ser presença obrigatória nos grandes festivais de jazz. Uma de minhas experiências musicais mais gratificantes aconteceu no Festival de Montreux de Montreux de 1986 quando, num mesmo dia, assisti a Piazzolla num contexto erudito com a Orchestre National de Lille e depois, no palco do jazz, com seu quinteto acrescido do vibrafonista americano Gary Burton.
Escrever este texto me fez voltar para a música de Piazzola, que não ouvia há anos. Volto a Montreux nos sons mágicos do bandoneón de Piazzola e do vibrafone de Gary Burton. Percorro de novo os labirintos do seu encontro de 1974 em Milão com o sax baritono de Gerry Mulligan (Summit/Reunión Cumbre). Passeio por seus clássicos Balada para un loco, Libertango e Adiós Nonino, o belo réquiem dedicado ao pai que morria; o intrigante e machadiano Ojos de resaca; seu Concerto para bandoneón e os Três tangos para bandoneón e orquestra, gravados em duas ocasiões: na Alemanha com a orquestra da Rádio SudWestFunk e, nos Estados Unidos, com a orquestra de St. Luke’s, regida por outro argentino que brilhou no jazz, Lalo Schiffrin. Ouço com carinho Jeanne y Paul, retratando os personagens principais do Último tango em Paris, interpretados por Maria Schneider e Marlon Brando. Piazzolla apenas começou, mas não teve tempo para fazer a trilha do filme de Bertolucci, que coube a outro argentino brilhante, o saxofonista Gato Barbieri. Jeanne y Paul foi parar na trilha de Cadaveri Eccellenti, de Francesco Rosi. Astor fez ainda as músicas para a trilha do filme Chove em Santiago, sobre a tragédia de Salvador Allende — Piazzolla, além de viver a paixão integral da música, se engajava nas causas justas deste nosso planeta tanguero, com suas pequenas alegrias e grandes desditas. Acima de tudo, viveu a paixão da música. Dizia: “A música é mais do que uma mulher, porque da mulher você pode se divorciar, mas da música não. Assim que casou com ela, seu amor será eterno, para a vida inteira, e ela cobrirá o seu túmulo.”
Astor Pantaleón Piazzolla nos deixou, aos 71 anos, em 1992, com um grito de liberdade: “Louco! Louco! Louco! Como um acrobata demente saltarei sobre o abismo de tua clivagem até sentir que enlouqueci teu coração de liberdade.”
Roberto Muggiati
The original video of Libertango by Astor Piazzolla
http://www.youtube.com/watch?v=RUAPf_ccobc
Milonga del Angel – Astor Piazzolla
http://www.youtube.com/watch?v=bbdakZjHTys
Remenbrance
http://www.youtube.com/watch?v=NDBKGHUOdWE
Oblivion-Astor Piazzolla
http://www.youtube.com/watch?v=0adwx5hDcVs
Balada Para un Loco - Astor Piazzolla e Eduardo Ferrer
http://www.youtube.com/watch?v=k7VbmmAtVxo&feature=fvsr
Adios Nonino (bbc live 1989)
http://www.youtube.com/watch?v=ccY5IcwWyV8
Adios Nonino - Astor Piazzolla con la Sinfônica "Cologne Radio Orchestra" da Alemanha
http://www.youtube.com/watch?v=VTPec8z5vdY
Concerto para bandoneón - Astor Piazzolla - Bandoneon,
Alvaro Pierri - Gitarre
http://www.youtube.com/watch?v=_ziCk60fheA&feature=fvsr
3 tangos para bandoneón Astor Piazzolla & Lalo Schifrin
http://www.youtube.com/watch?v=M_6OWjs0q-E&feature=fvsr
Jeanne y Paul - Astor Piazzolla
http://www.youtube.com/watch?v=Kw9zBuSZFSA
Astor Piazzolla - Chove sobre Santiago
(1976)
http://www.youtube.com/watch?v=pR3ALLTRdvI
Extasis
http://www.youtube.com/watch?v=pt_euSLm1B4&feature=related
Luna
http://www.youtube.com/watch?v=OzedORdnDDs&feature=related
Regreso del amor
http://www.youtube.com/watch?v=Ep3E5jjAXT4&feature=related

Astor Piazzolla
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